Índice
1. Categorias de apps financeiros
As lojas tratam diferentes tipos de apps financeiros com regras diferentes. As categorias principais:
- Gestão financeira pessoal: controle de gastos, orçamento, extrato — as menos reguladas.
- Pagamentos e transferências: carteiras digitais, PIX, transferências. Exige licença do Banco Central em alguns casos.
- Investimentos: plataformas de investimento, corretoras. Exige registro na CVM.
- Seguros: exige licença da SUSEP.
- Empréstimo pessoal: uma das categorias mais reguladas no Google Play.
- Criptomoedas: regras específicas por plataforma e jurisdição.
2. Requisitos da App Store
A Apple revisa apps financeiros com atenção extra (Guideline 3.1.1 e seção 5.2 sobre legality). Os requisitos principais:
- O app deve ser oferecido por uma entidade legalmente constituída — a Apple verifica se a empresa existe.
- Apps que facilitam transações financeiras reais precisam demonstrar conformidade com as leis da jurisdição onde operam.
- Apps de investimento precisam mencionar que oferecem serviços regulados e ter os disclaimers legais adequados.
- Apps de empréstimo precisam informar claramente os termos: taxa de juros (APR), prazo máximo e mínimo, política de cobranças.
✓ Inclua no campo "Notes" da submissão ao App Store Connect a documentação que comprova a legitimidade do serviço — número de registro, licença do Banco Central, CVM ou similar. Isso evita rejeições por falta de contexto.
3. Requisitos do Google Play
O Google tem uma política específica para Serviços Financeiros Pessoais que é mais detalhada que a da Apple em vários pontos:
- Apps de serviços financeiros precisam completar o formulário de declaração de serviços financeiros no Play Console antes da publicação.
- É necessário fornecer documentação de licença ou regulamentação aplicável.
- O app precisa ter página de privacidade específica e termos de serviço detalhados.
- Dados financeiros sensíveis não podem ser transmitidos sem criptografia.
4. Apps de empréstimo pessoal
Apps de empréstimo pessoal são a categoria mais regulada no Google Play — o Google criou uma política específica após casos de apps predatórios. Requisitos obrigatórios:
- Prazo mínimo de 60 dias: o Google não aprova apps de empréstimo com prazo de pagamento inferior a 60 dias.
- APR máximo declarado: para apps disponíveis nos EUA, o APR máximo permitido é 36%. No Brasil, a taxa precisa seguir as regras do Banco Central.
- Informações obrigatórias na loja: taxa de juros máxima, prazo máximo e mínimo, custo total do empréstimo e política de cobranças atrasadas.
- Nenhum acesso desnecessário: apps de empréstimo não podem solicitar acesso a contatos, câmera, galeria ou outros dados sem justificativa clara e aceita pelo Google.
- Em alguns países, licença regulatória comprovada é obrigatória.
⚠️ O Google remove frequentemente apps de empréstimo que violam essas políticas — especialmente os que acessam contatos ou galeria sem necessidade. Se o seu app de empréstimo usa qualquer permissão sensível, justifique claramente no formulário de declaração.
5. Apps de criptomoeda
A Apple permite apps de crypto exchanges, wallets e NFTs com restrições:
- Exchanges de criptomoeda precisam ter licença adequada na jurisdição onde operam.
- NFTs vendidos dentro do app que conferem benefícios reais (acesso a conteúdo, etc.) precisam usar o sistema de IAP da Apple — o que gera a comissão de 30%.
- NFTs como colecionáveis (sem benefício funcional) podem usar pagamentos externos.
O Google Play permite apps de crypto com licença adequada, mas proíbe mineração de criptomoedas diretamente nos dispositivos.
6. Documentação necessária
Para a maioria dos apps fintech, tenha pronto:
- CNPJ ativo e regularizado.
- Licença regulatória aplicável (Banco Central, CVM, SUSEP) — se aplicável ao tipo de serviço.
- Política de privacidade cobrindo dados financeiros e conformidade com LGPD.
- Termos de serviço com todas as condições do serviço financeiro.
- Página web funcional da empresa (as lojas verificam a existência da empresa).
- Conta de e-mail corporativa para contato (não Gmail genérico).
7. LGPD e dados financeiros
Dados financeiros são dados sensíveis sob a LGPD — o que aumenta as obrigações de proteção:
- Base legal explícita para cada dado coletado (geralmente execução de contrato ou consentimento).
- Criptografia obrigatória para dados financeiros em trânsito e em repouso.
- Retenção de dados conforme prazo legal (dados financeiros geralmente têm prazo mínimo de 5 anos para fins fiscais).
- Relatório de impacto de privacidade (DPIA) recomendado para serviços de alto risco.
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